sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Gênero, sexo, transgênero: algumas considerações genéricas
Não sou estudioso, mas como todo mundo, tenho opiniões a respeito e, ao começar a responder este post do Alexey Dodsworth, acabei escrevendo muito mais do que cabia numa resposta. Como isto me obrigou a organizar um pouquinho o que penso sobre o assunto em forma de texto, resolvi transformar o resultado nesse post aqui (que só se encaixa no espírito geral do blog pelo trocadalho do carilho em seu título).
Pra começar, vai preliminar semelhante a que ele usou em seu blog: sexo biológico e gênero não são a mesma coisa. Sexo biológico é naturalmente determinado, caracterizado por uma marca genotípica (o par de cromossomos xx ou xy) e uma série de marcas fenotípicas (genitália, forma do corpo, pelagem...). O gênero é da ordem da mente e da convenção social, não da natureza. Dizer isto significa, entre outras coisas, que ele:
1 - não corresponde à natureza, mas ao mesmo tempo é construído a partir dela: dizer que é "natural" que homens gostem de mulheres é quase tão inadequado quanto é dizer que é "natural" que meninos gostem de azul. A sexualidade, como o gosto estético (e são duas coisas que funcionam juntas), é formada socialmente, e o ato sexual não é um ato puramente natural, mas um ato social - que, para muito além da reprodução, adquire e exprime incontáveis sentidos: amor, paixão, controle, poder... Isto não pode, é evidente, significar que devemos ignorar a "base" natural sobre a qual os atos sociais são criados, p. ex. a influência dos hormônios, os impulsos reprodutores de espécie, e um sem-número de outras coisas. Mas estas coisas não explicam, nem podem explicar, a infinidade de práticas sexuais e papéis de gênero. Não há biologia (ou mesmo psicologia) que explique, sozinha, a podolatria, a coprofagia, ou mesmo coisas mais corriqueiras como a estimulação oral e a masturbação. Quem acusa os homossexuais de "crime contra a natureza", ou qualquer outra estupidez parecida, certamente nunca usou sequer um mísero neurônio de seu desocupado cérebro pensando na abominação que é dirigir um monstro de duas toneladas de metal que se alimenta de dinossauros mortos e regurgita gás carbônico, nem em nenhuma das outras atrocidades que praticamos diariamente como, digamos, assistir ao BBB. Não pensou sequer em suas próprias práticas sexuais que, para ser coerentes com a ideia de "sexo natural", deveriam excluir tudo que não significasse ejaculação dentro de uma vagina (e nisto a Igreja Católica até é coerente...).
Guardadas as devidas proporções, coisas semelhantes podem ser ditas para a identidade de gênero. A identidade masculina não é natural, mas parte de "base" natural; assim, os símbolos da masculinidade frequentemente remetem ao pênis, à ejaculação, à penetração (fenômenos naturais), associando-o, p. ex., à "atividade" (em oposição à "passividade" feminina, que recebe o pênis e seu sêmen), ao uso das armas; e daí, somando-se a um sem-número de outras características naturais, como as diferenças fisiológicas (força física, pêlo facial), que vão definir um estereótipo do homem "de verdade" (ou "bem-feito", para imitarmos o comercial do barbeador), com características que vão desde a fertilidade e tendência à poligamia à força física e abertura de latas de azeitona, passando pela barba e pelas cantadas de pedreiro - estereótipo que muda com o tempo e lugar, mas que não deixa, por isso, de exercer força tremenda. Também a identidade de gênero feminino parte de "base" natural; p. ex. a maternidade, símbolo culturalmente universal da feminilidade, que, fora do reino da ficção (comédias estreladas por Schwarznegger em destaque), permanece restrita ao sexo (e ao gênero) feminino, como uma literal barreira natural aos poderes humanos (para a infelicidade de nossa camarada Loretta); mas há também inúmeros outros estereótipos do gênero ao qual espera-se, intencionalmente ou não, que um parceiro corresponda. É concebível e perfeitamente compreensível (mas de forma alguma inevitável) que um homem se decepcione ao saber que sua parceira é transgênero simplesmente porque significará infertilidade, ou um gogó atípico, já que, aos olhos do quadro definidor de gênero, isto a torna "menos" mulher, "menos" feminina; ainda, uma mulher "inautêntica" - e a autenticidade é um significante poderoso e importantíssimo. É claro que a infertilidade não pode definir o gênero, feminino ou masculino (ou toda mulher infértil deixaria de ser considerada mulher), mas há expectativas acerca do papel social que se ligam, como ela, quase diretamente a traços biológicos.
2 - é criação social, não individual. A adequação do indivíduo ao gênero não é dada simplesmente pelo indivíduo, ou melhor, só é dada por ele no que tange a suas opiniões e ações. Ninguém é uma ilha, nem pode ignorar o fato de que se importa com a opinião alheia, mesmo que ela seja preconceituosa - se não se importasse, seria muito fácil para qualquer homossexual "sair do armário". Isto tem consequências complexas para todos os não-heterossexuais. Não avisar ao parceiro que é transgênero, p. ex., pode significar inadvertidamente expô-lo a um preconceito (ainda que injusto) que ele não necessariamente estava disposto a enfrentar. No caso do programa de tv, qualquer estalinho é difamação, porque nossa sociedade, no geral, não aceita os transgêneros (mais: abomina), ainda que aceite e acompanhe atrocidades muito maiores (como o BBB).
(mas também, se, após 10 edições do programa, alguém ainda não percebeu que entrar no mesmo é dar carta branca para a produção fazer o que quiser com sua imagem pública, merece toda a difamação do mundo)
3 - é "preconceituoso", no sentido literal de instituir significações prévias com as quais o sujeito social tentará dar sentido ao mundo - esterótipos. Somos todos, neste sentido, "preconceituosos", e não se pode taxar todo preconceito como moralmente reprovável simplesmente por sê-lo. Cabe taxar a este, por exemplo, por violar um princípio de respeito à diversidade de conduta sexual/identidade de gênero (mas que não é de forma alguma majoritariamente aceito). Estas noções mudam muito de sociedade para sociedade, mas isto não diminui em nada sua força, e não corresponder a estas expectativas, não importa com quanta legitimidade, costuma custar caro. Pensar que estamos "imunes" a este tipo de construção social também seria quase tão ingênuo quanto pensar que podemos nos colocar à parte e acima da sociedade para julgá-la. Na verdade foram estas mesmas noções, socialmente construídas, que engendraram nossas próprias noções acerca de nosso papel de gênero - o que é válido inclusive, e especialmente para, os transgêneros, que jamais se sentiriam inadequados se tivessem simplesmente construído sua ideia de gênero a partir do nada, e não sob a inescapável influência dos estereótipos sociais.
Dessa brincadeira toda tiro dois dedos de conclusões pretensiosas:
Não há - não faz sentido dizer que haja - determinidade absoluta de identidade de gênero ou comportamento sexual, porque nem nossa identidade social nem nossas ações em sociedade são absolutamente determinadas. A ideia de uma genética de homossexualidade é tão ingênua e perigosa quanto a de uma genética da criminalidade. O homossexual que alega sê-lo "por natureza" está tão errado quanto Silas Malafaia. A não ser que aceitemos a hipótese sensualista de que o homem é totalmente controlado pelos seus desejos, que não tem capacidade de agir para além deles (algo que, sinceramente, não acho que valha nem para um cachorro, que dirá para um humano), somos obrigados a admitir que a identidade de gênero e o comportamento sexual são, no melhor sentido do termo, escolhas; e que todo homossexual tem diante de si a escolha de tentar se adequar ao padrão social em detrimento de seus desejos homoeróticos, ou ceder a eles e viver uma vida de aparências, ou ainda incorporá-los a sua identidade social e enfrentar o estigma da inadequação e toda a força do preconceito. Escolhas injustas, certamente - como tantas outras que são feitas diariamente - mas escolhas.
Na mesma direção, o homo, bi ou trans que age como se esperasse que a sociedade fosse subitamente despir-se de todos os estereótipos e tratá-lo como normal, exceto quando o faz por provocação ou semelhante, arma-se de uma ingenuidade tremendamente prejudicial, especialmente para ele mesmo e para aqueles próximos dele. É claro que a sociedade é preconceituosa! É claro que ela vai tratá-lo mal por não se adequar aos estereótipos traçados por ela! E isso não vale só para os sem-caráter, mas especialmente para pessoas de bem que, apesar de suas boas intenções, foram educadas e formadas com estes estereótipos de gênero, usados por nós (sinto-me obrigado a não me excluir) como critério para separar "normal" e "anormal", "bom" e "ruim", etc. Dizer que ser gay é normal não pode significar que o é de fato, mas sim de direito: que seria o justo, mas que, na prática, não acontece. Na prática, ser gay ainda é (bastante) anormal e, pelo contrário, a rejeição aos não-heterossexuais é a regra.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Canto IV
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Canto IV - A Quebra de Juramento e Revista de Agamémnone
Enquanto isso, no Olimpo...
ZEUS: [ironia] Pois é, camaradas, tá vendo como mulher estraga tudo? A Afrodite só se meteu pra estragar toda a brincadeira, e deixou a Atena e a Hera aqui se cagando de raiva à toa! Huahuahuahuahua! [/ironia]
Como vocês podem ver, Zeus não sabe usar [ironia].
HERA: Escuta aqui, isso é maneira de você falar? Você é chefe dos olimpianos?
ZEUS: Sou, claro.
HERA: Mas num parece, eu tô aqui tentando destruir os troianos.
APOLO: Eu já não vi um diálogo assim nessa paródia?
ATENA: Seu ignorante, não sabe que o estilo homérico é baseado na repetição?
ZEUS: Mas afinal o que tanto o Príamo te fez pra você querer assim destruir a cidade dele, hein?
HERA: [eufemismo] Er... nada... só assim, uma coisinha que eu quis dele e ele não me deu. Uma bobagem. [/eufemismo]
Como vocês podem ver, Hera sabe usar [eufemismo].
ZEUS: Mas pôxa, eu gosto daquele brinquedo, Troia, não é justo! Você pode destruir meus brinquedos mas não vai querer que eu destrua os seus!
HERA: Tá, vamos trocar. Se eu destruir Troia, você pode destruir Argos, Esparta ou Micenas quando quiser.
ZEUS: Promete...?
HERA: Prometo.
ZEUS: Então cospe aqui!
HERA: ... no seu pau!?
ZEUS: É.
HERA: Que merda de pacto é esse?!
ZEUS: Pacto...?
ATENA: Por falar em pacto... como é que fica o dos gregos e dos troianos?
ZEUS: Ah, faz assim: vai lá e diz que se um dos troianos der o primeiro tiro pra quebrar o pacto, vai ganhar uma grana. Aí quando eles quebrarem o pacto, podemos matar todos aqueles desgraçados com apoio da mídia, dizendo que eles atiraram primeiro!
APOLO: Porra, isso aqui é o monte Olimpo ou uma reunião da União Democrática Ruralista!?
Atena desce do monte e vai até Licáone, o Lício.
ATENA: Aí, Licáone, ouvi dizer que se tu der o primeiro tiro pra quebrar o pacto, vai ganhar uma grana.
LICÁONE: ISSA!!
Licáone vai pegar o arco! Eleavançapeladireitaeleavançapelaesquerdavaipegarnacarruagemoescudeiropeganoarco e paaaaasssa pra ele! Agora ele corre na direção do campo adversário! Elecorredriblaamarcaçãopassapelalinhademeio! Agoraelecaipelalateralesquerdavaiavançando com velocidade! Eleencaraamarcaçãogregarecuabotaaflechanoarcofintou, desviou, clareou, bateu!!!
... NA TRAAAAAAVE! Atena desvia a flecha no último instaaaaante ela resvala e acaba acertando no cinto!!!
MENELAU: Porra mas aí é sacanagem!!
No CINTO, sua anta!
MENELAU: Ufa.
AGAMÉMNONE: Caramba, Lau! Fiquei preocupado, achei que tu ia morrer!
MENELAU: Pô, valeu, mano, mas tô numa boa.
AGAMÉMNONE: Imagina só o que iam dizer? "Lá vai aquele otário, o Agamémnone, que veio pra cá pra pegar a mulher do irmão de volta mas agora vai voltar sem ela e sem o irmão". Eu ia ser zoado pra caralho!
MENELAU: É... bom saber que tu se preocupa...
AGAMÉMNONE: Aliás, é melhor chamar alguém pra estancar esse ferimento, antes que o sangue manche a armadura.
MENELAU: ...
AGAMÉMNONE: Taltíbio! Vai buscar um curandeiro!
TALTÍBIO: Mas onde, meu bom senhor?
AGAMÉMNONE: E eu sei lá, caralho! Faz um escândalo. Tu nunca mais vai aparecer nessa merda de história, mesmo.
Taltíbio corre a procurar Macáone, que, até onde Homero nos mostra, parece ser o único médico em todo o exército grego.
TALTÍBIO: LF HEALER EPIC TROY THEN G2G
MACÁONE: Tudo eu, tudo eu... Cadê o grupo?
TALTÍBIO: Tá na batalha, já...
MACÁONE: O quê!? Caralho! Quantas vezes eu preciso dizer pra chamarem o healer antes de começarem?!
TALTÍBIO: Er...
Macáone vai até Menelau, retira a flecha e trata do ferimento.
MENELAU: Putz, valeu dotô. Te devo uma.
MACÁONE: Sei... aposto que, se você morresse, geral ia dizer que a culpa era minha.
AGAMÉMNONE: Isso mesmo. Então sai fora! Te chamamos quando alguém se machucar de novo.
MACÁONE: Vida de merda...
AGAMÉMNONE: E agora, minha brincadeira preferida! Hora de passar a tropa em revista!
MENELAU: Mas é uma revista em quadrinhos?
AGAMÉMNONE: ...
TALTÍBIO: ...
Agamémnone começa a revista. Passa pelas tropas, e quando encontra homens preparados para a batalha e bem dispostos, elogia assim:
AGAMÉMNONE: AE CAMBADA! QUEM QUEBRA PACTO QUEBRA A CARA, FALEI!?
SOLDADOS: AEEEEE!
AGAMÉMNONE: QUEM É QUE ROBA AS MINA DE GERAL?
SOLDADOS: EH NOIX!
AGAMÉMNONE: EH NOIX MERMO, PORRAAAAA!
Mas quando encontra uma galera relaxadinha, chapadinha, paga logo um puta esporro:
AGAMÉMNONE: Tira essa roupa preta que você não merece! Tira essa roupa preta! Você não é caveira você é MULEQUE!
Agamémnone chega aos cretenses, chefiados por Idomeneu e Meríones, que estão preparados.
AGAMÉMNONE: Ah, isso é que é um exercito, rapá. Grande Idomeneu, meu chapa! Sabe que tu vai tá sempre convidado pra minhas festinhas, tá ligado?
IDOMENEU: Pára de perder teu tempo aqui comigo e vá lá pilhar o resto dos gregos. Porra.
AGAMÉMNONE: Cabra bão! Queria ter um irmão assim...
Passa também pelas tropas comandadas pelos Ajazes, já todas ordenadas.
AGAMÉMNONE: Bacana, muito bacana. Legal mesmo esse negócio de guerra.
Passa pelas tropas de Nestor de Gerena, que está botando ordem no pedaço.
NESTOR: Vem pra cá você, vem pra cá você! Má oê!
AGAMÉMNONE: Coé, velhote! Bom ver que tu ainda tem gosto pela coisa. Aposto que, se não fosse tão idosinho, estaria lá na frente lutando... Pena que a pipa do vovô não sobe mais.
NESTOR: Ah, mas se fosse em outra época! No meu tempo, as coisas não eram assim, não. Como naquela vez em que eu matei o Ereutalião! Lembro que era uma quarta-feira, e...
AGAMÉMNONE: Sim, sei, aposto que era. Com licença.
Agamémnone segue a revista e chega às tropas de Menesteu e Odisseu, que estão relaxando num baseadinho.
AGAMÉMNONE: Cambada de vagabundos! Quantos moleques nós ainda vamos ter que perder pra um preiboi poder fumar seu baseado!?
MENESTEU: Oi.
AGAMÉMNONE: Essa preiboizada! Quando é festa, cês são os primeiros da fila, na hora da porrada fica de relax, porra!?
ODISSEU: Porra, coroa! Tá me chamando de vagabundo?! Sacanage! Assim fico bolado, porra... Até parece que tu não é meu amigo.
AGAMÉMNONE: Er... tá. Foi mal, queria ofender ninguém, não.
Segue o caminho e encontra Diomedes e Esténelo, passeando de charrete.
AGAMÉMNONE: Diomedes, isso é coisa que se faça?! O que seu pai diria!? Ele era um guerreiro valente! Quer dizer, pelo menos foi o que me disseram.
ESTÉNELO: Porra, coroa, com quem tu pensa que tá falando!?
DIOMEDES: Fica quieto, pirralho, ou... ih!
AGAMÉMNONE: AAAAAH, MULEQUE!
ESTÉNELO: O quê? O que que eu fiz?!
AGAMÉMNONE: DÁ A MÃO, MULEQUE!
ESTÉNELO: Na mão não, chefe! Na mão, não!
PEI!
DIOMEDES: Melhor num mexer com o Agamémnone e a avaiana de pau dele...
AGAMÉMNONE: Ela não é confortável, mas educa as crianças!
As tropas gregas e troianas alinham-se e se preparam para o confronto.
GREGOS: UH! UH! VAMO INVADIR! UH! UH! VAMO INVADIR!
TROIANOS: PORRADA! PORRADA! PORRADA!
O lado a e o lado b se chocam e o pau come solto.
ANTÍLOCO: Toma!
EQUEPOLO: Ugh!
AGENOR: Toma!
ELÉFENOR: Ugh!
AJAZ 1: Toma!
SIMOÉSIO: Ugh!
ÁNTIFO: Toma isso, Ajaz!
LEUCO: Ugh!
ÁNTIFO: Como assim, eu atiro a lança num e morre outro? Explica essa porra direito, Homero!
ODISSEU: Ae, sacanage matar o Leuco, ele era meu parceiro de truco!
DIOMEDES: É... e também te devia aquelas 500 pratas, lembra?
ODISSEU: ... O QUÊ!?
Enfurecido, Odisseu corre para enfrentar os troianos.
ODISSEU: Filhos da puta!
Arremessa a lança. Os troianos todos se abaixam, menos Democoonte.
PÁRIS: Mas que burro!
DEMOCOONTE: É que deu lag... ugh!
Cai morto. Apólo tenta incitar ânimo, coragem e força aos troianos.
APÓLO: Ânimo! Coragem! Força!
PÁRIS: Porra, valeu hein? Que faríamos sem você?
PÍROO: Toma!
DIORES: Ugh!
PÍROO: Arrá! Espólios!
TOANTE: Toma!
PÍROO: Ugh!
TOANTE: Arrá! Espólios!
PÍROO: Vacilo... nem bem apareço já morro!
TOANTE: Quem mandou ser figurante, rapá?
PÍROO: Ninguém pensa nos capangas...
Vida de merda, hein?
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Continua... eu acho.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Aristóteles e amizade entre os gatos
Tinha uma coisa que o homem fala à qual eu nunca tinha prestado a devida atenção (e o que se vai fazer? Impossível prestar atenção à tudo), possivelmente porque nunca entendi, ou não entendi porque não prestei atenção e, francamente, a ordem não interessa. Ele diz, no mesmo trecho, primeiro, que pais e filhos sentem, naturalmente, amizade um pelo outro, e logo em seguida, que o mesmo sentimento pode ser visto nas aves e na maioria dos demais animais (vale sempre notar, a palavra que ele usa e traduzimos por amizade, "philia", velha conhecida por aglutinações bem-quistas do português como "pedofilia" e "necrofilia", não é bem "amizade", mas aqui a diferença é sutil o bastante pra não fazer diferença). Se não prestei a devida atenção por muito tempo, provavelmente foi por que não ligava muito para bichinhos, por um lado, ou porque simplesmente não concordava com a ideia de amizade entre desiguais - e é o próprio Aristóteles quem diz, antes e depois do trecho em questão, que a amizade se dá primordialmente entre iguais.
O resultado é que não entendi merda nenhuma e deixei o trecho de lado, atribuindo o desentendimento às dificuldades da tradução. Isto, aliás, é um troço engraçado: depois que nos damos minimamente conta da dimensão das dificuldades de adaptar um texto como esse, rapidamente fica fácil supor obstáculos intransponíveis onde eles não necessariamente existem; ou seja, na dúvida, deve ser problema de tradução. No caso, claro, minha cabeça é que estava torta. Basta andar um pouco e o autor mesmo explica como, embora a amizade seja baseada na igualdade, existe entre os desiguais.
"Em todas as amizades que envolvem desigualdade, o afeto também deve ser proporcional: a melhor das duas partes, por exemplo, ou a mais útil ou superior de qualquer outra maneira, conforme o caso, deve receber mais afeto do que dá, pois quando o afeto é proporcional ao mérito estabelece-se, de certa forma, uma igualdade, vista como uma característica essencial da amizade." (E.N., 1158b, 24-29)
De minha parte, sempre tive essa intolerância besta com este trecho que, como outros do autor, busca estabelecer certa hierarquia entra as pessoas e seres em geral, no estilo governantes > governados, homens > mulheres, homens livres > escravos, etc. Mas, cacetada, ele viveu no séc, IV A.C. e, se você vivesse, quase certamente pensaria da mesma forma, então dê-se o devido desconto ao homem; deixemos o quiprocó da superioridade-inferioridade pra lá enquanto tento explicar minha (inexplicável) interpretação deste trecho e, mais importante, do assunto que ele trata, por sinal desenvolvida esta madrugada sem a ajuda de nenhuma outra explicação - mas de duas bichaninhas.
Rápida intervenção explicativa. Dia 23 de dezembro do ano passado uma gata abandonada veio dormir do lado da porta de nossa casa, esquálida, bigodes cortados e barriguda. Sem saber se eram vermes ou filhotes, pegamos a bichinha, eu e minha mulher, para ficar por aqui até ela melhorar/ter a cria, e depois dar para minha sogra, que já queria outra gata, mesmo. Eram filhotes, claro, e Natalina teve, na terça de carnaval, 3 filhotinhas, que chamamos de Maia, Electra e Mérope; fomos cuidando das quatro, isoladas na varanda aqui de casa, enquanto tentávamos arrumar alguém pra adotar essa gataria toda, o que, eventualmente, aconteceu.
Ontem, o primeiro casal de adotantes veio, inicialmente para levar apenas uma, e acabou carregando Maia e Mérope. Quando cheguei em casa mais tarde, já quase de madrugada, ouvi os miados familiares da filha restante e sua mãe e, quase por reflexo, fui pegar água e comida para encher seus potes; mas, quando cheguei à varanda, vi que ainda estavam cheios. Sentando-me junto a elas, entendi que, era óbvio, não estavam miando nem por fome, nem por sede, mas de aflição, de solidão, de medo: onde estavam as outras duas? Foram mortas, feridas, devoradas? Elas voltarão algum dia? E nós, vamos ficar aqui - ou somos as próximas (e são)? A incapacidade animal de formular seus sentimentos em palavras, quem tem bicho sabe, não nos impede de interpretá-los e compreendê-los.
Fiquei com elas na varanda por um tempo. Observei Electra, miante, esfregando-se em mim, na mãe, sem parar, e reparei que elas se afagavam, lambiam, etc., muito mais do que antes. Pouco depois, e desde então até agora, vi que estão sempre abraçadas, a mãe cobrindo a filha, aquecendo-a. Elas são mãe e filha, e seu afeto é desigual, dado de maneira desigual, mas a todo momento vi, tão claramente, como são igualadas por ele e por sua situação: são duas gatas, sozinhas, com medo frente ao desconhecido, habitando o mesmo espaço, partilhando do mesmo afeto e confiança - que, por sinal, por hora, é o que lhes resta.
Não estou contando esta historinha para sensibilizar ninguém para o drama dos animais abandonados (embora não pretenda impedi-los, caso queiram) ou discutir o assunto. Até porque, levando-se tudo em conta, é uma história em que tudo deu certo, todos os animais abandonados estão prestes a encontrar abrigo, gozam de saúde, etc.; e temos muitas outras desgraças com as quais nos sensibilizar. Estou partilhando a mesma porque vi valor nela como exemplo do que diz Aristóteles com relação aos animais e, de forma mais abrangente, como analogia para toda a ideia da amizade e do afeto como equalizadores.
Se podemos dizer que qualquer animal é capaz de amizade, com todas as devidas proporções guardadas, então Electra e suas irmãs eram, certamente, amigas. E também ela e sua mãe, como são, analogias devidamente aplicadas, mães, pais e filhos em toda parte. Mas também, e talvez o mais importante, podem ser quaiquer pessoas em quaisquer circunstâncias, pois partilhamos sempre um mínimo de coisas em comum, como partilham agora Natalina e Electra: estamos vivos, estamos sós, tememos o sem-número de coisas que desconhecemos, habitamos o mesmo espaço, etc.
A interpretação certamente extrapola as intenções do autor, imagino eu. O que é ótimo, ainda que não absolutamente, até porque é necessário para se pensar. Mas me agrada esta ideia: de que, mesmo com toda a diferença, com toda a desigualdade, teremos sempre o suficiente em comum para que a amizade, onde ela consegue surgir, de certa forma nos iguale.
Canto III
Canto III - Juramento, Muralhas da Observação e o Combate Singular de Alexandre e Menelau
Os exércitos gregos e troianos avançam para se encontrar no campo de batalha. Páris começa a se engraçar.
PÁRIS: Ih, lado A, lado B, rapá, o bicho vai pegar. Ah, muleque!
HEITOR: Ai, saco...
PÁRIS: Aí, mano, diz uma coisa. Quem é esse tal de Alexandre aí do título?
HEITOR: É você, seu anormal!
PÁRIS: Ah, é, esqueci que também tinha esse nome.
HEITOR: Eu devo ter jogado pedra no Olimpo...
PÁRIS: Aí seus grego otário! Otário!
HEITOR: Caralho, começou...
PÁRIS: Bando de viadinho, comeninguém!
Menelau avista Páris e fica loco de raiva.
MENELAU: Agora eu te pego filho da puta!
Vai até Páris.
MENELAU: Pára de andar atrás da minha mulher. Que senão... eu dou-lhe um tiro! Eu sei que não dá mais pra mim, mas... eu faço todo o possível. E também estou cansado de sair na rua ouvir certas conversas como: lá vai o grande chifrudo.
PÁRIS: Chifrudo? Eu soube exatamente o contrário, nada disso. Eu soube que... hm... soube que o senhor estava. Tava dando o negócio pros outro aí, pô.
MENELAU: Além de ser folgado você é um grande filho da puta - retire-se.
PÁRIS: Primeiramente eu não aceito ordens de bicha, entendeu?
MENELAU: Olha aqui seu frangote, eu sou velho... e se você não se retirar daqui a 5 minutos, eu vou enfiar isso na sua bunda.
PÁRIS: Aaaah, que é isso, rapá. Tá pensando que eu tenho a sua mania? Eu sou é homem, rapaz! Por que você não aproveita e enfia isso em você mesmo?
MENELAU: Ahahahaha. Cê quer mesmo? Num dá jeito! Só, mas pra você ter uma idéia, só um instante, vamos ver se você é macho pra isso. Anda, venha logo.
Menelau joga a espada pra Páris.
PÁRIS: ôu!
Deixa a espada cair.
MENELAU: Se cortou? Toma o meu lencinho!
PÁRIS: Hmmm... quanta gentileza! Já tá botando as manguinhas de fora, hã?
MENELAU: É... ehe.
PÁRIS: Eu deixei cair uma coisa de grande utilidade!
MENELAU: Você tem razão. Essa espada já me deu... muuuita alegria. Mas ainda não tenho o jeito... mas pego algum dia.
PÁRIS: Se você tivesse a minha experiência...
MENELAU: Por que que você não falou antes?
PÁRIS: Eu fui obrigado a fazer cú dôce, entendeu? E eu não gosto de falar as coisas abertamente, assim, pra todo mundo, assim, me confessar o que eu sou realmente. Eu só lhe falei porque você. Você é igual a mim, sabe? É uma coisa que aconteceu comigo... quando eu era criança.
MENELAU: Eu guardarei o seu segredo. Bichinha.
PÁRIS: Ok, bichona.
Páris volta pra junto dos troianos.
HEITOR: Porra, Páris, deixa de viadagem. Você tem que parar de frescura e enfrentar logo o Menelau pra gente voltar pra casa pra jogar unieléve.
PÁRIS: Ah, mano!
HEITOR: Tá com medo? Você é um covárrde, Le Roy, um covárrde!
PÁRIS: Tá bom, eu vou mas... me dá uns buff antes?
HEITOR: Que mané buff, o quê.
Heitor vai até os gregos.
HEITOR: Aê, bora resolver tudo num x1, Páris e Menelau. Perdeu um, perdeu o resto. Q Q 6 ACHÃO?
AGAMÉMNONE: Fmz.
NESTOR: Eh noix.
Páris invites you to a duel.
Menelau accepts your duel.
Nisso Íris vai chamar Helena pra ver a peleja.
ÍRIS: Vai lá, mulé, os homi tão brigando pra ficar com tu!
Lá em cima, Príamo e uma cambada sentam na arquibancada pra ver a luta.
PRÍAMO: Minha filha vem cá! Assiste aqui no camarote com o sogrinho... e me explica quem é quem, que eu não enxergo nada sem meus óculos. Quem é aquele coroa ali?
HELENA: /whois Agamémnone
Agamémnone Human Warrior lvl 70
PRÍAMO: E aquele com jeito mais moleque?
HELENA: /whois Odisseu
Odisseu Human Fiadaputa lvl 70
<Ítaca>
PRÍAMO: E quem é aquele outro grandalhão?
HELENA: /whois Ajaz 1
sua mãe trepando seu fiadaputa!
PRÍAMO: Mas que grosseria!
Para de enrolar, seu véio, e deixa eu continuar a estória!
PRÍAMO: Tá bão...
Príamo vai de carroagem firmar o pacto solene com os gregos.
PRÍAMO: É pacto de cuspe?
AGAMÉMNONE: É o que for.
PRÍAMO: Então toca aqui. Quem ganhar, ganha, quem perder, perde.
ODISSEU: O véio tá gagá...
PRÍAMO: E se alguém quebrar o juramento, que seus miolos estourem e caiam no chão.
Acreditem, esse juramento eu não inventei!
Odisseu e Heitor medem o campo de batalha.
ODISSEU: Pena que ainda não inventaram aquele sprayzinho pra marcar a grama do campo.
HEITOR: Que grama? Aqui só tem terra dura!
PRÍAMO: Fui.
AGAMÉMNONE: Ué, tu não vai ver a luta?
PRÍAMO: Luta? Esses dois frangotes? Prefiro jogar damas.
Príamo volta pra Tróia. Os duelistas vestem as armaduras, os elmos, as sombrancelhas e passam um batonzinho pra dar mais charme.
HEITOR: Chega dessa enrolação!
MENELAU: ABUGUEM!!
PÁRIS: ÚLURÚRULÚ!
ODISSEU: Argh, ele tá dando os pulinhos do Vega!
HEITOR: Fala grosso, porra!
MENELAU: Meu santo Zeusinho padre Cícero, por favor me ajuda a matar esse filho da puta!
Atira a lança.
PÁRIS: Pei! Morri.
MENELAU:ÉÉÉÉ!!
PÁRIS: Brinks, tô vivão.
MENELAU: Filho da! Agora tu vai ver!
Menelau acerta em cheio a espada na cabeça dele, mas ela quebra.
MENELAU: Ah, tá de sacanagem!!!
Afrodite intervém e enche tudo com névoa.
MENELAU: Ei, quem soltou a lag grenade?
Afrodite leva Páris de volta ao palácio de Tróia. Vai falar com Helena.
AFRODITE: Helena, meu bem, teu homi voltou!
HELENA: Deixa de caô, sua sirigaita.
AFRODITE: Caô nada e cala essa boca antes que eu quebre isso que você chama de cara.
Helena vai ver Páris.
HELENA: Não acredito! Seu covarde, seu rato, seu, seu.
PÁRIS: Mimimi, mimimi - calaboca logo e vamo pro quarto que eu tô a fim de dá uma trepada.
Sobem pro quarto. Enquanto isso, no campo de batalha.
AGAMÉMNONE: Absurdo! Exigimos vitória por WO!
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Continua...
domingo, 4 de abril de 2010
Canto II
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CANTO II - Sonho, Teste e Beócia ou O Catálogo das Naus
Todos dormem, menos Zeus, que é um deus simpático, agradável, no entanto fica perdendo seu tempo com bobagem. Ele conversa com Sonho.
ZEUS: Mas vamos bolar um plano para enganar o Agamémnone, Sonho. Eu sei de um plano.
SONHO: Eu também sei seu porra.
ZEUS: Você vai entrar no quarto dele, vai... Não, correção!
SONHO: Uhn?
ZEUS: Você vai se fantasiar como mulher do Agamémnone. Você vai se fazer passar pela mulher do Agamémnone. Você vai dormir uma noite com o Agamémnone. Você vai se fantasiar de viado.
SONHO: Glup! Merda!
Sonho não se fantasia, mas vai à tenda de Agamémnone e enche ele de idéia errada.
SONHO: Aí, hoje vai dar até pra tirar a camisa, hein? Vai matar geral! Geral!
AGAMÉMNONE: Ah, moleque!
SONHO: Sem neurose, sem caô, Zeus manda avisar que pode partir feroz, porque os troianos vão rodar!
Agamémnone acorda e imediatamente vai chamar os chefes dos gregos.
AGAMÉMNONE: Pessoal, hoje um sonho me visitou com uma mensagem direta de Zeus. Ele disse assim: "Sem neurose, sem caô, Zeus manda avisar que pode partir feroz, porque os troianos vão rodar!"
DIOMEDES: Nós acabamos de ler isso duas linhas acima!
ODISSEU: Seu ignorante, não sabe que o estilo Homérico é baseado na repetição?
NESTOR: Hora do pau!
Saem para falar com o povo.
AGAMÉMNONE: Pessoal, sei que vocês querem bater nos troianos, mas... Estou morrendo de cansaço, vam´bora meninas, vam´bora. Eu vou embora, tchau queridos.
GREGOS: Hein?!
CHEFES GREGOS: Hein!?
HERA: Hein!?
ATENA: Ué, nós não estávamos dormindo?
HERA: Esquece isso e vai lá impedir esse corno de ir embora.
Atena desce.
ATENA: Odisseu, não dá mole, não deixa esse corno ir embora.
ODISSEU: Ah!
Odisseu passa uma descompostura nos soldados que pensavam em ir embora.
ODISSEU: Peidorrentos!
TERSITES: ... esse Agamémnone acorda pra sacanear um, tem que mandar logo tomar no cú!
ODISSEU: Seu Tersites.
TERSITES: Pra puta que pariu! Filho da puta! Filho da puta!
ODISSEU: Calma filho da puta! Calma!
Odisseu dá uma paulada em Tersites.
ODISSEU: Só não te dou outra porque!
Depois fala a todos.
ODISSEU: Ó, não peidem não, hein!?
NESTOR: É! Er... é sério isso, Agámemnone?
AGAMÉMNONE: Brink's, vamos ficar. Aprontem um churrasquinho.
Aprontam o churrasco, oferendam um pouco pra Zeus.
ZEUS: Hmmm... toucinho!
NESTOR: Chefe, afinal, quanta gente veio pra essa merda de guerra, hein?
AGAMÉMNONE: Er... sei lá.
Agamémnone sai e começa a contar as naus.
AGAMÉMNONE: 987, 988, novecentos e... merda, aquela onda me atrapalhou. Não vou mais contar porra nenhuma.
Anda até as tropas.
AGAMÉMNONE: Aí pessoal, cansei de contar barquinho. Vamos começar meu joguinho favorito...
Agamémnone pega a pauta.
AGAMÉMNONE: Chamada!
BEÓCIOS: Presentes!
ASPLEDONENSES: Presentes!
FOCIDENSES: Presentes!
LÓCRIOS: Presentes!
AJAZ 2 : Presente. Ei, ei, peraí, como assim, "Ajaz 2"?
EUBEIENSES: Presentes!
ESTIRENSES: Presentes!
ATENIENSES: Presentes!
AJAZ 1: Presente.
AJAZ 2: Ei! Por que eu tenho que ser o 2? Aliás, por que 1 e 2, custa escrever o sobrenome?
ARGIVOS: Presentes!
DIOMEDES: Presente.
AJAZ 2: Ajaz Oileu, Ajaz Telamônio! Viu? Não é difícil!
MICENENSES: Presentes!
CORINTIANOS: Vai curingão, vai mano!
AGAMÉMNONE: Que mano, o que, sai pra lá!
É, essas torcidas organizadas são muito violentas...
ESPARTANOS: Presentes!
MENELAU: Mano, posso ir no banheiro?
AGAMÉMNONE: Não, você ainda tá de castigo por ter perdido sua mulher.
MENELAU: Mas eu tô apertado...
NESTOR: Presente.
TRÁCIOS: Presentes!
AJAZ 2: Não, é sério, que tal então Ajaz T e Ajaz O?
BUPRASE... BUPRASENSES? BUPRASIANOS? COMO SE CHAMA QUEM VEM DESSE LUGAR?
Eu sei lá, e alguém se importa com esses putos? Eles nem aparecem mais na estória.
AGAMÉMNONE: Vamos andar logo com isso aí?
DULIQUI... DULIQUINENSES? DULIQUINÉSIOS?
AGAMÉMNONE: Ah, pelo amor de... Odisseu!?
ODISSEU: Presunto!
TOANTE: Engraçadinho...
AJAZ 2: Não preferem? Letras ficam melhor que números! Até porque os numerais árabes ainda vão levar séculos para serem inventados...
AGAMÉMNONE: Tá, chega de merda! Idomeneu, Cretenses, Meríones, Ródios, Teplólemo, blábláblá... todo mundo aqui.
AJAZ 2: Pô, gente, isso é tão injusto... a maioria das pessoas nem imagina que tenha mais de um Ajaz nessa guerra. Quer dizer, Pedro, Paulo, João, a gente espera ver mais de um... mas Ajaz?
AJAZ 1 : Quer calar a porra da boca?!
AGAMÉMNONE: Todo mundo... menos os Mirmídones e o Aquiles! Hahahaha! Falta pra você, Aquiles! Mais uma e vocês serão reprovados!
GREGOS: ...
ODISSEU: Cara, duvido que os troianos tenham que aturar isso.
Enquanto isso, em Tróia...
HEITOR: Quem quer lutar com os gregos põe o dedo aqui! Que já vai fechar!
ENÉIAS, ACAMANTE, ARQUÉLOCO, PÂNDARO, ADRASTO, ANFIÃO, ÁSIO, PILEU, PELASGO, EUFEMO, PIRACME, PILÊMENES, EPÍSTROFO, ODIO, CRÔMIS, ENOMO, FÓRCIS, ASCÂNIO, ÁNTIFO, MESTLE, NASTES, ANFÍMACO, GLAUCO E SARPÉDONE:
Eeeeeeeeeeeeeeeeu!!!
PÁRIS: Pô, mano, estranho esse negócio de por o dedo... sei lá, inclua-me fora dessa.
GLAUCO: E alguns desses caras aí em cima já até morreram!
POLIDAMANTE: Cara, duvido que os gregos tenham que aturar isso.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Canto I
Pra quem não viu, trata-se de droga pesada: minha tentativa vergonhosa de parodiar a Ilíada.
Critique ou não; a única certeza é que eu me divirto.
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CANTO I – A Peste e a Ira
Deus, dê-me forças pra conseguir contar o grande chilique que teve Aquiles, por conta do qual um monte de gente morreu, perdeu braço, perna, prega, enfim, foi uma merda só.
Perto do acampamento dos gregos, Crises vem falar com Agamémnone.
CRISES: Ó só, Agá, tô cagando se vocês destroem Tróia, alopram geral... levar minha filha é sacanagem, pô, sou sacerdote, pô, isso, isso num se faz não, fião. Devolve ela aí.
AGAMÉMNONE: Agá, quem cê tá chamando de Agá, isso é maneira de você falar? Você é sacerdote de Apolo?
CRISES: Sou, claro.
AGAMÉMNONE: Mas num parece, eu tô aqui tentando dirigir um exército.
CRISES: Ó só, Agá, tu fica esperto, hein? Tu fica na tua. Senão vou chamar o Apolo, aí o bicho vai pegar pra tu. Favor respeito.
AGAMÉMNONE: Respeito de cu é rola, seu véio. O meu negócio agora vai ser papar tua filhinha dia e noite até ela morrer velhinha lá em casa, e sai daqui se não quiser levar uns pipoco!
CRISES: Er...
Crises vai rezar pra Febo Apolo.
CRISES: Aí Apólou, Apólo! Sacanagem aí, o maluco te desafiou, hein, falou que tua mãe tem cabelo no dedo do pé! Desafiou que eu vi!
Apolo pega o arco e flecha e faz chover praga pra cima dos gregos por 9 dias. Todo mundo se fode. Aquiles fica boladasso e chama a galera.
AQUILES: Galera, tô boladasso, assim não dá. Vamo consultar um adivinho, um pai de santo, qualquer coisa aí porque parece que rogaram uma praga pra cima da gente.
Levanta-se Calcante, que vaticina, joga cartas, búzios e traz a pessoa amada em 3 dias, satisfação garantida ou seu boi de volta.
CALCANTE: Olha, eu falo, eu falo, mas me garante aí, Aquiles, que vai ter gente, que eu não vou dizer o nome ainda não, mas vai ter gente, que vai ficar putinho comigo.
AQUILES: Tem treta não, mermão, tá comigo, tá com Zeus.
CALCANTE: Foi o Agamémnone, foi ele quem começou sim, que eu vi! O Crises veio aí...
AQUILES: O Cruzes?
CALCANTE: Crises.
AQUILES: Que nome de gibi da DC.
CALCANTE: Então, ele veio pedir a filha de volta, a Criseide, e o Agamémnone mandou ele sair varado se não quisesse levar uns pipoco. A gente devolve ela que Apolo vai parar na hora, pode confiar.
AGAMEMNÓNE: Seu bruxo de merda, seu filho duma puta, safado, sem vergonha! Eu nunca fui com a tua cara! Vai querer que só eu largue da minha? Sacanagem!
AQUILES: Coé, pão-duro, tu já é cheio da bufunfa... segura tua onda, quando a gente passar os troianos, vai sobrar mulézinha pra ti, patrão.
AGAMÉMNONE: É o caralho! Eu vou querer uma escrava aí, tenho um vale-escrava!
AQUILES: Mas que filho da puta olha aí veja você! E querem que a gente siga ordens desse escroto? Todo mundo se fode, mas beleza, tá tranqüilo. Agora tu ainda por cima vai querer levar escrava dos outros? Aí não!
AGAMÉMNONE: Tá se engraçando pra cima de mim? Ah, não, agora vou levar é a tua escrava, a Briseide, aquela gostosinha, só pra tua aprender quem manda nessa bagaça.
AQUILES: CUMÉQUIÉ CUMPÁDI?!
Atena desce do céu para falar com Aquiles antes que ele saque a espada e saia fazendo merda.
ATENA: Pô, Aquiles, pega leve aí, que a tua hora vai chegar. Se quiser xingar, xinga, mas num toca o rebu, não.
AQUILES: Er... tá.
Atena vai embora.
AQUILES: Filho da puta cretino!
Nestor se levanta.
NESTOR: Pô, gente, vamos ser da paz!...
AGAMÉMNONE: Paz! Cala essa boca!
AQUILES: Quer levar a mulézinha, leva, mas depois agüenta as conseqüênciassssss.
Aquiles tem um chilique, joga o cetro no chão e sai. Agmémnone manda levarem Criseide para o pai, e depois apanharem Briseide na tenda de Aquiles.
PÁTROCLO: Santo roubo de escravos, Aquiles! São os emissários de Agmémnone!
AQUILES: Acompanhe os moços, menino-prodígio. Você tem muito que aprender com eles.
PÁTROCLO: Ui!
Pátroclo vai com eles. Aquiles vai até a praia e começa a choramingar.
AQUILES: MANHÊEEEE!
Chega Tétis.
TÉTIS: Que foi, filhinho?
AQUILES: O Aga, Aga, chuif, chuif, o Agamémnone! Ele, ele levou a minha escravinha! UÁAAAAAA!
TÉTIS: Oh, pobrezinho, vem aqui com a mamãe, vem. Agora fica bem calminho, tá? Que a mamãe vai lá falar com titio Zeus, e vai consertar tudinho pra você, tá bom? Agora toma um pirulito.
AQUILES: Êeeeeeee!
Odisseu chega com Criseide até Crises.
ODISSEU: Tô na área. Tua filha aí, ó.
CRISES: Opa! Aí, Apolo! Suspende a praga!
Apolo suspende a praga. Tétis vai até Zeus.
ZEUS: Chega mais, minha gostosa!
TÉTIS: Ai, Zeusinho, querido... sabe o que eu queria meeeesmo? Que os Troianos dessem umas porradas nos gregos, pro Agmémnone deixar de ser besta.
ZEUS: Iiih...
TÉTIS: Ai, deixa, vai, deixa, vai, diz que sim, diz que sim, diz que sim, vai, siiiiiiiim?
ZEUS: Tá, mas fica no sapato senão a Hera vai me encher a paciência.
Tétis vai embora. Zeus vai encontrar os outros deuses, e Hera desconfia.
HERA: Zeus Crônica Potente Que as Nuvens Cumula da Conceição Tavares! Que perfume barato é esse?!
ZEUS: Er...
HERA: Eu sabia! É da Tétis, aquela sirigaita! Aquela piranha!
ZEUS: Er...
HERA: Você andou se engraçando com ela? Ela pediu pros troianos ganharem, não foi? Hein?
ZEUS: Ah, cala a boca e não enche o saco, porra! Quer apanhar?
HERA: ...
Hefesto chega com uma taça de vinho.
HEFESTO: Pô mãe, fica assim não, bebe aqui um vinhozinho.
HERA: ... tá.
Hera bebe. Os outros deuses todos bebem. Apolo faz um mega-solo de lira, rola uma fuleiragem desgraçada e todo mundo toma um porre. Acordam numa boa, que deus não tem ressaca.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Leis de Gerson
Capítulo I: Parte Geral
Art. 1°: "Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também."
Art. 2°: A Lei de Gerson é a única e verdadeira lei, estando todas as demais a ela subordinadas.
Capítulo II: Parte Específica
DAS FILAS
Art. 3°: Todas as espécies de filas foram feitas para serem furadas.
Par. Único: No trânsito, buscar sempre a fila mais rápida, ignorando tanto a Lei de Murphy (a dos outros é sempre mais rápida), quanto a Lei de Newton (dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo), conforme o art. 2° desta.
DO COUNTER-STRIKE
Art. 4°: O negócio é matar e o time que se foda.
§1°: O vencedor da partida é aquele que marca mais pontos individualmente.
§2°: Quem mata mais tem direito, assegurado por esta lei, de esculachar todos os participantes inferiores.
Art. 5°: Camperagem não é problema, é solução.
DO STREET FIGHTER
art. 6°: Se a apelação não está funcionando, você não está usando o suficiente.
art. 7°: Novatos e jogadores de menor idade são uma grande maneira de poupar o seu gasto com fichas.
DO TRÂNSITO
art. 8°: O limite de velocidade é, na realidade, o dobro do que está escrito nas placas.
art. 9°: O acostamento existe para ser usado. Por você, num engarrafamento, enquanto todos os outros ficam parados.
§1°: Em ruas de mão dupla, a contra-mão substitui a função do acostamento.
§2°: Em caso de batida, a responsabilidade recai toda sobre o filho da puta que não desviou de você a tempo.
art. 10°: O indivíduo que demorar mais de uma fração de segundo para reagir a um sinal verde deve ser punido por uma série de usos de sua buzina.
DA CONFLITO DE OPINIÕES
art. 11: Você está sempre certo.
I. Quem disser o contrário, está errado.
II. Discutir a respeito é perda de tempo.
III. Se o outro lado recusar-se a ouvir a verdade, force-o.